Os nós em mim


Há momentos em que quero ser além de mim,

Fazer a minha voz ecoar, suportar, acalentar e nutrir.

Transformar os incômodos em partes potências e

Distribuí-las, ofertá-las aos meus. Porque somos terra.

Porque somos chão.

Porque somos alimento e construção.

 

Estivemos aqui e continuamos durante os tempos.

Eu mesma porto uma face que não só me pertence,

Sou a semente dos que me procederam,

A filha amada dos que me nutrem,

A mãe dos que me confiam,

A irmã dos que me acolhem.

Sou muitas e muitos.

 

Quando eles choram, eu também choro.

Quando me alegro, sei que o meu riso é

Porta para que a minha alegria chegue até eles.

A cura é um caminho de mão dupla. Nos curamos nesse encontro.

Benção da vida é estar vestida de cor e ter os cabelos que representam a diversidade que me constitui.


Poema escrito em meados de 2020

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