As movências da escrita
Do início de cada letra que se realiza no encontro potente do papel e o instrumento (lápis, caneta ou até mesmo o cursor do mouse), a escrita é um movimento - dança - instante de criação e destruição que se perpetua no infinito transitório da temporalidade. Enquanto escrevo, inscrevo-me e sou fora de mim, colocando para fora o que o interno solicita a encontrar. É uma saída, como também é uma chegada - mundos confluem e a vida habita em suas mais variadas formas.
Pois bem, cá estou!
Desloco-me interna e externamente, embora parada, e o medo do despertencer me sublima: pertenço a tudo e isto basta.
Estar fora de casa é, sobretudo, essencial para que me entenda como ser - andante, movente, dançante.
Sempre tive receios e inseguranças com o estar fixo a algo. E nunca estive.
É certo que, emocionalmente, toda água em seu movimento deixa e leva um pouco de todo lugar que passa. Sou assim. Não me recordava. Por muito tempo me senti querendo ficar - será que a água, de alguma forma ou em algum momento, tenha se sentido assim?
Mistérios.
Assim como o desconhecido do próximo traço da escrita a se tornar letra, podendo vir ou não a se completar, sendo o potente instante do vir a ser que se torna ser. Sendo.

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