Epifania
Epifania é um texto/crônica/fragmento escrito em maio de 2020 (no início de uma pandemia) e resultado de um dia solar em meio à vida minúscula, que tanto me atrai. Surgiu em uma manhã de céu azul, perto das árvores de caqui e caju, acompanhada pelas conversas dos passarinhos. Epifania é meu eu no tempo fora do tempo. É parte de mim que foi feita para a partilha em uma experiência de escrita compartilhada no instagram de um amigo querido (Pedro Passos) e ilustrada pelo seu irmão (Lucas Passos) - @contandopassos
Acordou.
Tentou se lembrar do sonho que tivera - ultimamente tem pensado muito nisso, no quanto de si tem descoberto a cada vez que dorme. Será que dorme? Ou seria o sonho o que de mais real, puro e verdadeiro há de si? Não se sabe. E ainda assim, após acordar e tentar se lembrar, sentiu-se estranha. Não o estranho comum, daquelas roupas que a mãe escolhe pra gente e a gente não quer, mas usa. Era o estranho bom. O estranho do ajuste. Tomou café, olhou o twitter, viu sei lá quantas mini informações que geralmente a deixariam indignada, triste, reflexiva. Não sentiu muita coisa.
Indiferença, talvez?
Era rumor. Me entendam bem claro, rumor, não humor. Tudo aquilo que na noite anterior conseguiria tirar um pouco da pouca estabilidade, hoje já não afetava com tanta força. O olhar sobretudo não era externo, era interno. Leu Anderson França falando sobre política e persona. E pensou: o que de mim quero ser hoje?
Deixou pra lá.
Foi para a vida das pequenas coisas.
Sol no rosto, no corpo e no coração, estava entre as plantas, sendo como elas - natureza. E como isso é confortável! E, mesmo assim, mesmo sabendo que ainda aquilo era um privilégio, se permitiu rir, se permitiu estar, se permitiu sentir. Olhou pro céu e pensou em astrologia: do nada pensou em seu ascendente e lua, quis expressar sem medo, sem restrições. Experimentou a liberdade de não querer ser e nem estar e nem fazer nada do que ficar no presente. Transformou-se em eterna. Imortalizou o agora. Fez morada no conto, no canto e na criação. Se matou para aquela parte antiga e linda e ainda sua, se gestou e nasceu para aquele novo eu e novo dia.
Epifania.

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